As perguntas que mais aparecem quando as pessoas estão a começar naltrexona, a tomá-la ou a tentar decidir se a tomam. Cada resposta é curta e aponta para um artigo mais longo quando existe um. Este artigo faz parte do nosso hub Naltrexona, o guia completo para usar naltrexona na perturbação do uso de álcool.
Se a tua pergunta não estiver aqui, o artigo pilar cobre o tema em profundidade.
# Para começar
# 1. O que é a naltrexona?
Um medicamento que bloqueia os recetores mu-opioides do cérebro. Quando bebes álcool com ela ativa, a recompensa de dopamina que normalmente terias fica parcial ou totalmente bloqueada. Usa-se na perturbação do uso de álcool e na perturbação do uso de opioides. Genérica desde 2013.
# 2. Como é que atua mesmo no álcool?
Dois protocolos principais. Diário: 50 mg todos os dias, reduz o consumo global. O Método Sinclair (TSM): 50 mg uma hora antes de cada sessão de bebida, usado para extinguir gradualmente a vontade de beber ao longo de meses. Cobrimos o mecanismo em O Método Sinclair explicado.
# 3. Vai impedir-me de beber?
Não. A naltrexona reduz a recompensa de beber; não te deixa incapaz de beber. Continuas a poder beber enquanto a tomas. O que acontece é que beber recompensa cada vez menos com o tempo, o que vai reduzindo a vontade.
# 4. Em que difere do Antabuse (dissulfiram)?
O Antabuse põe-te doente se beberes. A naltrexona torna beber menos recompensador. Mecanismos diferentes, objetivos diferentes. O Antabuse é para doentes comprometidos com a abstinência; a naltrexona é para quem está a reduzir ou a ponderar reduzir. Comparamo-los em Naltrexona vs acamprosato vs dissulfiram.
# 5. Como consigo uma receita médica?
Fala com o teu médico de família, com um especialista em dependências ou com um serviço de telemedicina. Sê específico sobre o que queres. As vias de cada país estão em Como conseguir uma receita de naltrexona.
# Doses
# 6. Qual é a dose padrão?
50 mg uma vez por dia nos protocolos diários, ou 50 mg cerca de uma hora antes de beber no TSM. Alguns prescritores começam com 25 mg na primeira ou segunda semana para aliviar os efeitos secundários e depois sobem para 50 mg.
# 7. O que é a “regra da hora”?
É do TSM em concreto: toma o comprimido cerca de uma hora antes da primeira bebida. A medicação precisa desse tempo para se dissolver, ser absorvida e saturar os recetores antes de o álcool chegar. Entre quarenta e cinco minutos e duas horas serve. Quinze minutos não serve. Vê Doses de naltrexona.
# 8. Posso tomar mais de 50 mg?
Já foram estudadas doses até 100 a 150 mg, mas o benefício estabiliza por volta dos 50 mg enquanto os efeitos secundários aumentam. Para sessões longas (8 horas ou mais), uma segunda dose de 50 mg 6 a 8 horas depois da primeira é o padrão. Não tomes por rotina mais de 100 mg por dia.
# 9. E se me esquecer de a tomar?
Nos protocolos diários, toma-a assim que te lembrares se ainda for o mesmo dia. Se já estiveres perto da hora de deitar, salta e retoma amanhã. No TSM, tomá-la depois de já teres começado a beber dá cobertura parcial às bebidas seguintes; não é ideal, mas não é inútil.
# 10. Posso tomá-la de estômago vazio?
Podes, mas tomá-la com comida reduz as náuseas, sobretudo nas primeiras semanas. Há um ligeiro atraso no pico de absorção (uns 30 minutos), mas nenhuma perda de efeito com significado.
# Efeitos secundários
# 11. Que efeitos secundários devo esperar?
Os mais comuns: náuseas, dor de cabeça, cansaço, sonhos vívidos. A maioria resolve-se em 1 a 3 semanas. Menos comuns: tonturas, ansiedade, dores articulares, diminuição do apetite. Raros: elevações das enzimas hepáticas. Vê Efeitos secundários da naltrexona para saberes o que é normal.
# 12. Quanto tempo duram as náuseas?
Tipicamente 1 a 2 semanas na naltrexona diária, e por vezes umas horas depois de cada dose de TSM durante o primeiro mês. Tomá-la com comida e começar em 25 mg pode reduzi-las substancialmente.
# 13. E o meu fígado?
Em 50 mg, a naltrexona provoca elevações ligeiras e reversíveis das enzimas hepáticas numa pequena minoria de doentes. A maioria dos prescritores faz análises de função hepática de base e repete-as aos 3 a 6 meses. A doença hepática grave (hepatite aguda, cirrose descompensada) é uma verdadeira contraindicação; a doença hepática ligeira a moderada não é.
# 14. Vai afetar-me o humor?
Alguns doentes relatam disforia ligeira ou achatamento emocional, sobretudo nas primeiras semanas. Normalmente é passageiro. Se persistir, vale a pena falar com o teu prescritor. A naltrexona atua em vias opioides envolvidas na resposta ao prazer em geral, não só no prazer específico do álcool.
# 15. Pode causar perda de peso?
Indiretamente sim, sobretudo por via da redução das calorias do álcool. O efeito direto na perda de peso, por si só, é pequeno. Cobrimos a ligação em Naltrexona e perda de peso.
# Beber sob naltrexona
# 16. Continuo a sentir-me embriagado?
Sim, até certo ponto. A naltrexona não bloqueia os efeitos embriagantes do álcool (a fala arrastada, a coordenação, o discernimento). Bloqueia o sinal de recompensa que te faz querer outra bebida. Continuas a poder embriagar-te; a experiência é que reforça menos.
# 17. O álcool vai continuar a saber ao mesmo?
Sim. A naltrexona não afeta o paladar. A mudança está em quanto a bebida recompensa, não em como sabe.
# 18. Fico embriagado mais depressa com naltrexona?
Não. A concentração de álcool no sangue sobe da mesma maneira. A embriaguez em si não muda.
# 19. E as ressacas?
A naltrexona não afeta diretamente as ressacas. Seja qual for a reação fisiológica que tens ao álcool na manhã seguinte, ela não muda. No entanto, como a maioria dos doentes bebe menos sob naltrexona ao longo do tempo, as ressacas reduzem-se naturalmente a par do consumo.
# 20. Posso beber muito enquanto tomo naltrexona?
Podes, mas o efeito comportamental do protocolo vem da supressão da recompensa da bebida pela dose. Beber muito sem doses de naltrexona (esquecer-te, no TSM) significa que estás a reforçar o consumo sem medicação, o que atrasa o protocolo.
# 21. Devo estar a beber sob naltrexona?
No TSM, sim: é assim que a extinção funciona. Nos protocolos diários, o objetivo é beber menos; beber muito na mesma significa que a medicação não está a fazer o seu trabalho.
# Vida diária
# 22. Posso conduzir sob naltrexona?
Sim, não há restrições à condução associadas à naltrexona em si. Se estiveres a beber enquanto a tomas, o álcool tem o mesmo efeito na tua condução que teria sem naltrexona.
# 23. Posso fazer exercício sob naltrexona?
Sim. Alguns doentes relatam uma ligeira redução inicial do prazer do exercício (a euforia do corredor, de origem opioide, fica ligeiramente abafada), mas a maioria não nota e o efeito costuma esbater-se em semanas.
# 24. Posso ter relações sexuais sob naltrexona?
Sim. Uma minoria de doentes relata libido ligeiramente reduzida ou mais dificuldade em atingir o orgasmo no início; normalmente é passageiro. Vale a pena falar com o teu prescritor se persistir.
# 25. Vou ter de dizer à entidade patronal, às seguradoras, etc.?
A naltrexona não aparece nos rastreios de drogas habituais em contexto laboral. A declaração aos seguros depende da jurisdição e do tipo de apólice. Em geral é tratada como qualquer outro medicamento sujeito a receita médica.
# 26. E se precisar de cirurgia ou de analgésicos?
Isto é crítico. A naltrexona bloqueia os recetores em que os analgésicos opioides atuam. Se precisares de cirurgia programada, suspende a naltrexona 72 horas antes. Numa dor de emergência, diz imediatamente à equipa médica que estás a tomar naltrexona, para que possam planear em conformidade. Usa uma identificação médica, se possível. O tramadol, a codeína e outros opioides “fracos” também são afetados.
# 27. Posso tomá-la com antidepressivos?
Em geral sim. Os ISRS (sertralina, fluoxetina, etc.), os IRSN (venlafaxina, duloxetina), a bupropiona e a maioria dos outros antidepressivos não têm interação significativa com a naltrexona. Confirma sempre com o teu prescritor para a tua combinação concreta.
# Casos particulares
# 28. E se estiver em terapêutica de manutenção com opioides (buprenorfina, metadona)?
A naltrexona é incompatível com a terapêutica com agonistas opioides. A combinação desencadeia privação aguda. Se estiveres a passar de buprenorfina ou metadona para naltrexona, é preciso primeiro a eliminação completa dos opioides do organismo (tipicamente 7 a 10 dias para a buprenorfina, mais para a metadona), sob supervisão médica.
# 29. Durante quanto tempo devo tomá-la?
Na naltrexona diária, o curso típico é de 3 a 6 meses no mínimo, muitas vezes mais se estiver a ajudar. No TSM, o protocolo foi desenhado para uso indefinido, embora muitos doentes acabem por estabilizar em níveis de consumo mais baixos e reduzir ou parar. Não há um ponto final fixo.
# 30. O que acontece quando paro?
A naltrexona é eliminada do organismo em 3 a 5 dias. Os recetores voltam ao ponto de partida. O que fica é o padrão de consumo que treinaste durante o tempo em que a tomaste. Nos doentes de TSM com boa extinção, a vontade de fundo de beber é muito mais baixa. Nos doentes de naltrexona diária, a vontade costuma voltar ao nível anterior com relativa rapidez.
# Como o AlcoLog apoia o teu tratamento
O cartão de Medicação do AlcoLog tem uma entrada dedicada à naltrexona. Cada dose fica com hora marcada através do seletor de hora de 24 horas. O temporizador de nova toma (definido em horas e minutos) lembra-te quando uma sessão longa precisa de um segundo comprimido. A lista de doses das últimas 24h mostra num relance o que tomaste.
Os lembretes Premium por local disparam quando chegas a locais guardados: úteis para o Método Sinclair, em que queres o comprimido acertado com os momentos de consumo.
O AlcoScore exclui deliberadamente o uso de medicação da sua pontuação. A visão da aplicação: a medicação é uma ferramenta que escolhes usar, não um comportamento que a aplicação deva classificar. O teu registo de doses informa-te a ti, não a tua pontuação. Os dados ficam no teu dispositivo. A exportação CSV das tuas últimas 10 sessões é gratuita; exportação ilimitada e relatórios em PDF são do Premium, para partilhares com o teu prescritor.
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